Glossário jurídico

Projudi

Projudi — Processo Judicial Digital

O Projudi (Processo Judicial Digital) é um sistema de tramitação eletrônica de processos adotado historicamente por diversos tribunais estaduais brasileiros — com destaque para o TJ-PR — em uso desde a década de 2000 e hoje em coexistência ou substituição gradual pelo PJe.

O que é o Projudi

O Projudi (Processo Judicial Digital) é um dos sistemas mais antigos de tramitação eletrônica de processos no Poder Judiciário brasileiro. Surgiu nos primeiros anos da informatização do Judiciário, na década de 2000, como solução compartilhada entre tribunais estaduais que precisavam migrar do papel para o digital antes da consolidação do PJe oficial do CNJ.

Seu principal usuário histórico é o TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná), onde o Projudi permanece em operação intensa. Outros tribunais que adotaram o Projudi ao longo dos anos — TJ-AC, TJ-RO, TJ-MS, parte do TJ-MG — estão em diferentes estágios de migração para o PJe ou já completaram a transição.

Projudi no contexto da fragmentação de sistemas

A existência do Projudi é resultado de um momento histórico: quando os tribunais começaram a digitalizar processos, não havia padrão nacional. Cada estado construiu sua solução ou contratou a que estava disponível. O Projudi foi adotado em parceria entre tribunais que enxergaram nele uma base sólida e gratuita pra acelerar a transição digital.

Com a chegada do PJe em 2013 (Resolução CNJ 185), o Conselho Nacional de Justiça passou a recomendar e oferecer o PJe como sistema padrão. Tribunais usuários do Projudi começaram a planejar migração — mas a operação é cara, complexa e arriscada. Migrar milhões de processos ativos requer estabilidade, treinamento e tempo. Por isso o Projudi continua vivo, em coexistência com o PJe em vários tribunais.

Características operacionais do Projudi

O Projudi cobre o ciclo completo de tramitação: distribuição automática, peticionamento eletrônico, acompanhamento de movimentações, juntada de documentos, audiências marcadas no sistema, decisões e sentenças publicadas eletronicamente. Integra-se ao DJe do tribunal para publicação de intimações e, progressivamente, ao DJEN nacional conforme o tribunal usuário adere ao canal do CNJ.

O acesso combina login/senha (para consultas e funções básicas) com certificado digital ICP-Brasil (para peticionar, assinar e acessar processos sigilosos). O painel do advogado mostra processos vinculados à OAB, intimações pendentes e movimentações recentes.

Comparado a sistemas mais novos, o Projudi às vezes carrega marcas da sua origem antiga — interface menos moderna, alguns fluxos com mais cliques. Mas continua sendo o canal oficial em tribunais que ainda não completaram a migração para o PJe.

Projudi e o AdvogaFlow

O AdvogaFlow monitora processos que tramitam no Projudi através da integração com o DJEN (onde o tribunal já está integrado) e da consulta processual do CNJ. A cobertura cresce conforme cada tribunal usuário do Projudi disponibiliza APIs públicas padronizadas.

Para advogados que atuam em tribunais ainda na fase de coexistência (Projudi + PJe), o AdvogaFlow consolida em uma única tela processos e intimações de ambos os sistemas. O peticionamento permanece sendo feito diretamente em cada sistema com certificado digital, mas o monitoramento, prazo e gestão da rotina ficam centralizados — fator crítico justamente em tribunais com sistemas em transição.

Como funciona

Mecânica do Projudi passo a passo

  1. 01

    Cadastro do advogado pela OAB regional

    O advogado se cadastra no Projudi do tribunal onde atua, vinculando sua inscrição na OAB-estado. O acesso pode ser feito com login/senha tradicional para consultas e funções básicas, e com certificado digital ICP-Brasil para peticionamento e atos sigilosos.

  2. 02

    Distribuição eletrônica e protocolo

    Petições iniciais são distribuídas automaticamente por classe e competência. O protocolo eletrônico é gerado com data e hora oficiais, e o número CNJ é atribuído imediatamente. PDFs assinados digitalmente são anexados pelo próprio sistema.

  3. 03

    Acompanhamento processual e intimações

    O painel do advogado mostra processos vinculados à OAB, com movimentações recentes e intimações pendentes. As publicações são feitas no DJe estadual e, progressivamente, no DJEN nacional conforme o tribunal adere ao canal do CNJ.

  4. 04

    Tramitação até decisão

    Despachos, decisões interlocutórias, sentenças e acórdãos são publicados no sistema, com possibilidade de recurso eletrônico para instância superior. Em tribunais onde o Projudi convive com o PJe, processos antigos seguem no Projudi enquanto novos são distribuídos no PJe.

Exemplos práticos

Onde Projudi aparece no dia a dia

Ação cível no TJ-PR

O TJ-PR é o principal usuário do Projudi. Ações de cobrança, indenização, responsabilidade civil e contratos tramitam no sistema, com julgamento em primeira instância e recurso para Câmaras Cíveis dentro do mesmo Projudi.

Família e sucessões no TJ-PR

Processos de divórcio, guarda, alimentos e inventário tramitam pelo Projudi com nível de sigilo apropriado. Acesso restrito a partes e advogados habilitados, com certificado digital obrigatório para visualizar documentos sigilosos.

Juizado Especial Cível (JEC)

Em estados aderentes, Juizados Especiais Cíveis usam o Projudi para causas de baixo valor (até 40 salários mínimos). Tramitação simplificada, com audiências de conciliação e julgamento eletrônico de pequenas causas.

Migração progressiva para o PJe

Tribunais que historicamente usavam o Projudi têm migrado parte da tramitação para o PJe oficial do CNJ. Processos antigos permanecem no Projudi até serem concluídos; processos novos passam a ser distribuídos no PJe, conforme cronograma de cada tribunal.

Perguntas frequentes

Dúvidas comuns sobre Projudi

Quais tribunais usam o Projudi?

O Projudi tem o TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná) como principal usuário. Historicamente foi adotado também por TJ-AC, TJ-RO, TJ-MG (parcial), TJ-MS e outros tribunais. Muitos estão migrando progressivamente para o PJe oficial do CNJ, mas o Projudi permanece em uso para processos antigos e, em alguns casos, ainda recebe processos novos em determinadas classes.

Diferença entre Projudi e PJe?

O Projudi é um sistema mais antigo, com origem nos primeiros anos da informatização do Judiciário brasileiro (década de 2000). O PJe é o sistema oficial do CNJ, instituído pela Resolução 185/2013 com objetivo de padronizar a tramitação nacional. A maior parte dos tribunais que ainda usa Projudi está em processo de migração para o PJe, mantendo os dois sistemas em coexistência durante o período de transição.

O Projudi está sendo desativado?

O Projudi não está sendo desativado de forma uniforme — depende de cada tribunal. O TJ-PR, por exemplo, mantém o Projudi ativo em paralelo ao PJe, com migração gradual de classes processuais. Outros tribunais já completaram a migração. A informação atualizada deve ser consultada no portal de cada tribunal usuário, já que o cronograma varia caso a caso.

Preciso de certificado digital para o Projudi?

Para consultas de processos públicos não sigilosos, geralmente basta cadastro com login e senha. Para peticionar, assinar documentos e acessar processos restritos (Direito de Família, criminais sob sigilo, segredo de justiça), é necessário certificado digital ICP-Brasil (A1 ou A3). Cada tribunal define exatamente quais funções exigem certificado.

O Projudi se integra ao DJEN?

A integração ao DJEN é progressiva, conforme cada tribunal usuário do Projudi adere ao canal nacional do CNJ. Onde a integração já existe, as publicações do tribunal aparecem tanto no DJe local quanto no DJEN. Onde ainda não, o DJe estadual permanece como canal oficial. Em tribunais em transição para o PJe, processos novos do PJe já vão direto ao DJEN, enquanto processos antigos no Projudi mantêm publicação no DJe estadual.

Quem desenvolveu o Projudi?

O Projudi é um sistema desenvolvido com participação de tribunais usuários e do CNJ, com origem em projetos de digitalização dos anos 2000. Não é um produto comercial como o e-SAJ (Softplan), nem um sistema centralizado como o PJe atual do CNJ. Cada tribunal usuário opera sua instância com adaptações locais.

Como consultar processos no Projudi sem ser advogado?

Processos públicos podem ser consultados sem cadastro pelo portal de consulta processual do tribunal usuário do Projudi. Basta o número CNJ do processo ou nome de uma das partes. Processos em segredo de justiça (família, sucessões com herdeiros menores, criminais sob sigilo) só são acessíveis a partes e advogados habilitados, mediante login e certificado.

O Projudi tem aplicativo móvel?

O TJ-PR e alguns outros tribunais usuários oferecem aplicativos próprios ou portais responsivos para consulta processual em dispositivos móveis. Funções de peticionamento, no entanto, normalmente são feitas pelo navegador desktop com certificado digital instalado. A disponibilidade do app depende do tribunal usuário.

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